
Nascido em 4 de dezembro de 1944, em Belém-PA, Roberto Ribeiro Corrêa nasceu em uma família com raízes na Ilha do Marajó, filho de João Batista de Azevedo Corrêa e Maria Violeta Ribeiro Corrêa.
Desde jovem, demonstrou profundo compromisso com a democracia e a justiça social, defendendo incessantemente a ampliação dos direitos trabalhistas, a igualdade de classes e o fortalecimento das instituições públicas como instrumentos de transformação social. Sob influência de seu tio Osvaldo Gonzáles Freire Ribeiro, que estudara na prestigiada universidade Cornell, nos EUA, era comunista declarado, morreu em 1964 e deixou uma biblioteca rica em obras de Voltaire, Rousseau, Marx e Lênin, na qual Roberto passou a estudar e nutrir certa admiração por ideias revolucionárias.
Durante o ensino médio, Roberto passou a integrar o movimento estudantil de contestação do regime militar, o que culminou com sua expulsão do Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, e seu ingresso no Colégio Paes de Carvalho, onde passou a liderar ativamente a mobilização e a propaganda estudantil contra a ditadura militar, organizando greves, manifestações e promovendo debates que articulavam a resistência com a luta por reformas democráticas.
Devido à sua militância no movimento estudantil, ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e, posteriormente, passou a militar na Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), mas também teve passagens pela Aliança Libertadora Nacional (ALN), que defendia a luta armada como caminho para derrubar o regime militar.
Um fato bastante lembrado por seus amigos ocorreu em 1965, durante uma greve estudantil. Roberto fez um discurso em frente ao Colégio Paes de Carvalho contra o então ministro da Justiça Francisco Campos, que tinha redigido o Ato Institucional n.º 1, cujo objetivo era radicalizar e institucionalizar o golpe de Estado, concedendo aos militares poderes extra‑constitucionais, com a cassação de mandatos de parlamentares e governadores contrários ao regime. Com a chegada da Polícia Militar e sob forte repressão, o seu amigo Meirevaldo Paiva, um homem alto e corpulento, foi espancado. Roberto Corrêa, por ser franzino, conseguiu escapar, mas teve uma ideia audaciosa. Voltaram discretamente, cobriram seu corpo com gazes para simular as lesões, colocaram-no nos braços e o levaram até o jornal Folha do Norte. O objetivo era criar um fato político capaz de denunciar e confrontar a brutalidade da ditadura.
Em 1967, após concluir o ensino médio, Roberto Corrêa passou no vestibular para o curso de Economia da UFPA, em que continuou sua atuação política para a retomada da democracia e ampliação dos direitos sociais. Durante sua graduação, junto a alguns amigos, fundou o jornal estudantil “O Papagaio”, denunciando a Guerra do Vietnã e o arbítrio da Ditadura Militar, bem como clamando pela retomada da participação popular nas decisões políticas.
Roberto formou-se em 1970 e em setembro desse mesmo ano, foi preso, enquanto ainda militava na Ação Libertadora Nacional. Ele permaneceu detido por cerca de 45 dias, inicialmente no posto policial do bairro de São Brás e, depois, em instalações da Aeronáutica, em Belém. Durante sua prisão, segundo relatos, foi interrogado, mas não sofreu tortura devido à movimentação de amigos e familiares. Seu julgamento ocorreu em 1971, na Auditoria Militar, com base na Lei de Segurança Nacional, mas o Superior Tribunal Militar o absolveu por um voto, encerrando esse episódio de repressão política.
No campo profissional, Roberto se destacou na gestão pública, especialmente no Banco da Amazônia, no qual ingressou em 1969 e ofereceu grandes contribuições no campo do desenvolvimento regional. Também exerceu o cargo de Secretário de Estado do Trabalho e Promoção Social do Pará entre 1991 e 1994, durante o governo de Jáder Barbalho, marcando presença tanto no pensamento quanto na ação política.
Em 1982, prestou concurso para professor de economia da UFPA, ocupando a cadeira de Microeconomia. Em 1996, iniciou o mestrado em Ciência Política no Instituto Universitário de Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro (IUPERJ), concluindo em 1990 com a defesa de sua dissertação intitulada “o Sistema Multipartidário Municipal do Estado do Pará – 1992 e 1996”, orientada pelo professor Jairo Nicolau. Em 1991, também no IUPERJ, iniciou seu curso de doutorado em Ciência Política, concluído em 2006 com a defesa de sua tese intitulada “Jogos, Cenas e Cenários da Transição Democrática Brasileira”, orientada pelo professor Dr. Fabiano Santos.
Com sua formação em Ciência Política, Roberto passou a colaborar na Faculdade de Ciências Sociais, onde desempenhou um papel fundamental na criação do Programa de Mestrado em Ciência Política da UFPA, que começou em 2008 no IFCH‑UFPA. Desde então, dedicou-se a investigações relevantes sobre o sistema partidário do Pará, contribuindo diretamente para a formação acadêmica de dezenas de mestrandos e doutorandos até sua aposentadoria em 2015. Seu trabalho, marcado por rigor intelectual, foi sempre permeado de bom humor e entusiasmo, inspirando as novas gerações no campo das pesquisas em Ciência Política.
Faleceu no dia 19 de maio de 2025, em Belém, vítima de um infarto, aos 81 anos. Sua trajetória mesclou pesquisa acadêmica de ponta e militância pela democracia e justiça social no Pará e no Brasil.